segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tony Judt, já imobilizado, abre as gavetas da sua memória


O Chalet da Memória - magistralmente bem escrito (apesar de ter sido ditado por força da doença). Tony Judt um dos últimos grandes intelectuais, no auge da sua degenerescência física, guia-nos pelas suas memórias, sejam as ruas da Putney da infância, as reminiscências dos seus tempos de estudante ou o poder das palavras. Cada ensaio evoca um episódio do passado, um cheiro, uma vivência, um local, uma viagem de carro pelos Estados Unidos – tudo serve de pretexto para um propósito duplo, a já citada evocação da memória mas, também as experiências do Maio de 68 ou dos kibbutzim, ou do passado judaico da família. O Chalet da Memória reúne os últimos ensaios publicados no New York Review of Books construídos durante as noites de insónia numa fase já muito avançada da esclerose lateral amiotrópica, a doença de Lou Gehrig, que vitimou o autor. O historiador combateu a enfermidade com determinação, mas este não é um livro sobre a doença, é sobre a vida porque a doença é o inferno e este “não é uma experiência transmissível”, como escreveu Timothy Garton Ash. Pouco tempo depois desta narrativa, Tony Judt, falecia.

Li-o ontem num fôlego e é impossível não ficar inquieto com os depoimentos deste historiador-escritor e ser humano excepcional. Aconselho esta obra que nos torna mais humanos!

Ler AQUI e AQUI os artigos que Eduardo Pitta e Rui Bebiano escrevam sobre O Chalet da Memória, na Ler Livros & Leitores, de 5 de Dezembro de 2011. Ler ainda Anos 60: foram uma boa altura para ser jovem, artigo assinado por Beja Santos e The Memory Chalet by Tony Judt - review, in The Guardian.




1 comentário:

ic disse...

o seu post foi citado na página do livro no Facebook, aqui


https://www.facebook.com/pages/O-Chalet-da-Mem%C3%B3ria-de-Tony-Judt/229245747140182