sexta-feira, 25 de novembro de 2011

um bordel à beira da revolução


 A Varanda,
Jean Genet (1910-1986)

Considerada a obra-prima teatral do dramaturgo francês Jean Genet A Varanda (Le Balcon) foi poucas vezes encenada no nosso país. Regista-se a encenação levada à cena em 1987 pelo Teatro Experimental de Cascais com direcção de Carlos Avilez. Agora, a par da estreia pelo Teatro da Cornucópia foi lançado pela colecção de Livrinhos de Teatro da Cotovia, numa tradução de Armando Silva Carvalho. A peça homónima de Genet desconstrói, em tom de farsa, a noção de poder através da sua dimensão de teatralidade, de troca de papeis, de simulacro. Um texto transgressor que mantém, em pleno, toda a sua contemporaneidade.  O escritor associa, não sem ironia, a nossa sociedade a um bordel de luxo: um lugar onde se trocam os corpos pelo dinheiro, onde reina a ilusão e o engano. A parábola é clara: a irresistível ascensão de Georges não é outra que a de Franco ou Hitler, mas sob a forma de uma farsa fúnebre.

A robustez do teatro de Genet reside neste riso terrífico, o riso de quem sabe que tudo está perdido.


“The Balcony is probably the most stunning subversive work of literature to be created since the writings of the famous Marquis.... A major dramatic achievement.” –– Robert Brustein, The New Republic


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1 comentário:

pinguim disse...

Tive a felicidade de ver essa peça, no TEC.